Sexta-feira, Maio 25, 2012

Se já me tivesse lembrado...


... provavelmente tê-lo-ia escrito.

No meio das discussões alternadas da minha adolescência - alternadas entre mim e o meu pai e entre mim e a minha mãe - muitas vezes recorria a um golpe baixo, nada honesto e digo já, pouco produtivo:

- Não percebo! Não me devias defender a mim?! Eu é que sou tua filha! Não vês as atrocidades a que me estão a sujeitar?!

(sim. sou boa no melodrama mas nada eficaz)

Em uníssono - talvez o tivessem combinado, ou talvez não ... - sempre a mesma frase [poetizada e no essencial]:
"O teu pai (A tua mãe) é a pessoa mais importante da minha vida! E juntos tivemos a pessoa mais importante da nossa vida a dois!"


E assim se definiu em curta frase o meu lugar.


Nunca me senti menos amada por isso, mas sempre soube que há um espaço deles para além do meu. É o que está antes, o que fica com eles quando a porta se fecha e eu não entro sem bater. E o que se prolonga no amor que sentem mesmo depois de eu ter embalado a trouxa e zarpar...


P. S. Obrigada Ana A. por me fazeres lembrar como é bonito ser fruto do amor...




Segunda-feira, Maio 07, 2012

Eterno Retorno

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"


in A Gaia Ciência
 
Eterno retorno é um conceito filosófico formulado por Friedrich Nietzsche e aplicado na prática em mim!
 
Karma's a bitch. Mas diverte-me...

Quarta-feira, Abril 25, 2012

Das coisas que eu gosto...

Tantas vezes muito antes de saber porquê.
Fez ontem 1 ano que vi a Rita pela última vez. Os olhos, o cheiro, o sorriso e todo o amor que trazia com ela. Só queria ao milésimo tsuru voltar a vê-la...

Lenda do Tsuru:

Tsuru no Japão é uma cegonha de origami. Ela tem um significado muito especial, quem a recebe de presente, recebe junto com ela um desejo profundo de "mil felicidades, vida longa e gratidão".
"Certo dia, num tempo muito antigo, um pescador andando pela floresta, encontrou uma cegonha agonizando, quase à morte. Ele recolheu-a, tratou dela e salvou-lhe a vida. Em seguida soltou-a de novo para que fosse livre e seguisse seu caminho.
Depois de um tempo deste acontecimento, apareceu uma linda moça para falar com o pescador e ofereceu-lhe um presente muito belo: um tecido feito com pena de cegonha, tecido muito puro e raro. A própria moça disse tê-lo feito, fio a fio, para entregar ao pescador. Mas, assim que entregou-lhe o presente, a moça disse:
Não poderei dar-lhe outro igual.
(e não explicou o porquê).
O pescador ganancioso, vendeu esse tecido por um preço bem alto, e de novo pediu à moça que fizesse outro tecido para ele. Ela, meio assustada e preocupada, não recusou-se, mas voltou a dizer-lhe amavelmente:
Esse é o último, realmente não poderei fazer-lhe outro tecido.
O pescador recebeu o segundo tecido e notou que a moça estava muito abatida. Mas procedeu da mesma forma: o vendeu e pediu mais outro à moça, que resignadamente, atendeu-o, já bem abatida, enfatizando que não mais poderia fazer o tecido.
O pescador ficou desconfiado daquela moça, seu semblante cansado, seu trabalho era feito a noite...então resolveu segui-la. Espiou pela fresta da janela, e viu uma cegonha tirando suas últimas penas para tecer o tecido. Era a cegonha que ele havia salvo a vida um dia, e estava morrendo novamente. Quando o pescador aproximou-se a cegonha virou rapidamente a moça, mas já sem forças ela não conseguiu permanecer na forma humana, olhou docemente e cheia de gratidão para o pescador e caiu no chão, uma cegonha totalmente sem penas, ofertando o tecido feito de seu próprio corpo. Ela oferecera sua vida para agradecer aquele que um dia a salvara.
Porém, certo de que esse verdadeiro espírito de gratidão nunca poderia morrer, e também como forma de ser perdoado, o pescador passou a fazer a cegonha (tsuru) em origami e ofertar em todo Japão, desejando que as pessoas compreendessem e praticassem essa gratidão em suas vidas e, assim, tivessem vida longa e mil felicidades."



Terça-feira, Março 27, 2012

Teatro(s)

"Que o vosso trabalho possa ser apaixonante e original. Que ele possa ser profundo, comovente, contemplativo, e único. Que ele nos ajude a reflectir sobre a questão do que significa ser humano, e que esta reflexão seja guiada pelo coração, sinceridade, candura, e charme. Que consigam ultrapassar a adversidade, a censura, a pobreza e o niilismo, que muitos de entre vós serão obrigados a enfrentar. Que sejam abençoados com o talento e rigor para nos ensinar sobre o batimento do coração humano, em toda a sua complexidade, e com a humildade e curiosidade que faça disto o trabalho da vossa vida. E que o melhor de vós próprios – porque só poderá ser o melhor de vós próprios , e mesmo assim apenas em raros e breves momentos – consiga definir a mais fundamental questão “como vivemos nós?”

Desejo sinceramente que o consigam".

John Malkovich. Para o 50.º aniversário do Dia Mundial do Teatro. Hoje.


Por todas as vezes em que a vida me obrigou a fingir. E por todas as outras em que o fiz por querer, por gostar, por me dar prazer, por brincar, porque adoro o faz-de-conta. E que foram mais.

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Terça-feira, Fevereiro 21, 2012

Carnaval




There is always some madness in love. But there is also some reason in madness.

Friedrich Nietzsche



Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

sextas feiras

Saber de ti, que é feito das tuas horas

Se o palco em que habitas é o meu

Eu sei que a vida é em si mistério

Que só se desvenda para lá do céu...

Mas procuro-te no encanto dos meus dias

Em cada riso terno um abraço teu

E sinto o sufoco da ausência

Ainda que a presença se espalhe

Ao ritmo de cada pensamento.

Foste e não foste. Mas onde ficaste e se ficaste chega

Para avassaladoramente me enforcar em cada segundo que me ocorre que

Partiste.

E não partiste.

E ainda assim percorro doidamente os caminhos do passado que me tragam

O teu cheiro de volta.

Se por acaso nos dias que ainda faltam te cruzares comigo por aí

Diz-me que és tu, apresenta-te, fala;

Não te detenhas na suspeita de que enlouqueci.

Se a loucura for o caminho para te ter de volta

Percorro-o, sem medo.

Mais medo me faz a tua falta!

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

Perspe(c)tivas...

Como se explica a compra destes micro-white-shorts num Fevereiro pautado por 2ºC ao sol?!

x+y = Capri em Agosto!